Base livre e crack (Derivado da coca)

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Não se trata de substâncias novas, nem sequer de cocaína sintética. São duas bases da droga quimicamente iguais, que diferem no processo de elaboração: a base livre obtém-se aquecendo suficientemente uma mistura de cloridrato de cocaína com éter. Porém, se se aquecer com bicarbonato de sódio, amoníaco e água, o produto final será o “crack”.A chamada base livre foi uma forma de consumo iniciada nos anos 70, muito popular nos EUA. Nos finais dessa década (“free base house”), as complicações provocadas pela sua utilização, a perigosa elaboração do produto – o éter é muito inflamável – e o seu preço elevado fizeram com que esta prática não se generalizasse. Por volta de 1980, o seu uso ficou restringido a determinadas pessoas, que a elaboravam a nível particular para o seu próprio consumo.Uma pequena variação no processo de produção deu lugar ao aparecimento do “crack” ou “rock”, de efeitos semelhantes mas com uma preparação muito mais simples do que a base livre.

Apresentação. Vias de administração

A aparência do crack varia segundo o processo de produção. Pode ser encontrado em forma de pedras de cor branco sujo, como um pó branco idêntico ao cloridrato de cocaína ou em bolinhas semelhantes a grãos de chumbo com um peso de 125 ou 300 miligramas (suficiente para uma ou duas doses). A via mais normal de consumo é através da aspiração dos vapores da combustão, colocando a droga em cachimbos fabricados para esse fim, em latas de refrescos, tubos de vidro, papel de alumínio, …, ou fumando-a em cigarros misturada com tabaco, marijuana ou PCP.

Aspectos farmacológicos

Idênticos aos da Cocaína.

Efeitos

São semelhantes aos efeitos do cloridrato de cocaína intravenoso, embora mais potentes e rápidos e, portanto, com maiores riscos para o indivíduo. Quanto aos efeitos imediatos, a longo prazo o potencial de dependência é semelhante ao descrito na secção dedicada à cocaína.Inicia-se com euforia, uma exagerada sensação de bem estar e excitação sexual. Depressa se dissipam, sendo substituídos por uma forte depressão, irritabilidade, angústia, insónia e diminuição do apetite.Produz um claro aumento da frequência cardíaca e da pressão sanguínea, o que explica a alta percentagem de enfarte do miocárdio e hemorragias cerebrais entre os utilizadores (segundo dados do “NIDA”, os internamentos de urgência por overdoses de cocaína fumada aumentaram entre 1987 e 1990 em mais de 700%).As infecções nos brônquios e as paragens respiratórias são outras das complicações súbitas e frequentemente mortais. A natureza desta substância dá-lhe um enorme poder de dependência com a consequente síndrome de abstinência, em caso de suspensão.